Steven Pinker, o psicólogo mais ‘Fascista!’ de Harvard

steven pinker

Steven Pinker é um professor de psicologia da Universidade de Harvard que defende que nossos padrões de comportamento e cognição não podem ser corretamente estudados como se fossem aspectos à parte da nossa Biologia (fisiologia, neuroanatomia, genética de populações…). Para ele e seus colegas de uma emergente sub-área da psicologia – a psicologia evolutiva – o comportamento e a inteligência humana são resultados dos fenômenos biológicos que regem o comportamento e a cognição dos demais animais.

Parece uma posição tranquila e sem grandes implicações morais, mas a questão é que ao defender tal modo de compreensão da mente humana, com esta sendo aspecto emergente em última análise da nossa biologia, os psicólogos evolutivos são obrigados a trabalhar com a ideia de que determinados tipos de comportamento ou padrões cognitivos são influenciados em função de aspectos demográficos como raça, gênero, idade… para os psicólogos evolutivos, do qual o mais popular é este cabeludo e encaracolado professor de Harvard, não há nada de cientifica ou moralmente errado em supor que alguns grupos étnicos sejam geneticamente diferentes em aptidões ou em supor que as mulheres e homens variem em suas preferências profissionais por conta de aspectos hormonais ou neurológicos.

Os psicólogos evolutivos entendem que, como hipóteses, alegações como estas podem e devem ser investigadas cientificamente. Acreditam que os longos períodos de isolamento pelos quais as populações humanas passaram possam ter produzido diferenças comportamentais e não apenas físicas entre os grandes grupos humanos. Também acreditam que, assim como é observado em todo o restante do reino animal, os dimorfismos físicos observados entre machos e fêmeas de nossa espécie devem ter sido acompanhados por dimorfismos cognitivos e comportamentais também.

E é aí que Pinker e outros psicólogos evolutivos e sociobiólogos (a disciplina da Biologia mais associada à psicologia evolutiva) ouvem a torto e a direito que, sim, eles também são ‘Fascistas!’ e que, como disse recentemente em um programa de rádio uma feminista brasileira, ‘Biologia é coisa do século passado’.

Na palestra apresentada abaixo Pinker fala sobre o que viveu quando estava elaborando a mais ‘Fascista!’ de suas obras: Tábula rasa: a moderna negação da natureza humana, e mais abaixo você pode ler um pequeno trecho, traduzido por mim.

 

“(…)

O feminismo é frequentemente ridicularizado por conta dos argumentos de seus extremistas lunáticos – por exemplo, que todo ato sexual é estupro, que todas as mulheres deveriam ser lésbicas, ou que apenas 10 por cento da população deveria ser masculina. Feministas respondem que os proponentes dos direitos femininos não falam com uma única voz, e que os pensamentos feministas comportam muitas posições, que precisam ser avaliadas independentemente. O que é completamente legítimo, mas se aplica de ambos os modos. Criticar uma proposta feminista em particular não é atacar o feminismo em geral.

Qualquer um familiarizado com o  universo acadêmico sabe que ele fermenta cultos ideológicos que são dignos de serem classificados como dogma e que são resistentes ao criticismo. Muitas mulheres acreditam que isto está agora ocorrendo com o feminismo. No seu livro Who Stole Feminism? a filósofa Christina Hoff Sommers desenha uma útil distinção entre as duas escolas de pensamento. Feminismo de igualdade se opõe a discriminação sexual e outras formas de injustiça contra as mulheres. Ele é parte da tradição liberal clássica e humanista que cresceu com o Iluminismo, e ele guiou a primeira onda do feminismo e lançou a segunda onda. O feminismo de gênero assume que as mulheres continuam sendo escravizadas por um perverso sistema de dominação masculina, o sistema de gêneros, em que “crianças bi-sexuais são transformadas em personalidades de gênero masculino e feminino, o primeiro destinado a comandar, o outro a obedecer.” Isto é oposto à tradição liberal clássica e se alia ao invés disso com o marxismo, o pós-modernismo, o social-construtivismo e a ciência radical. Isto se tornou o credo de alguns programas de estudos de gênero, organizações feministas e porta-vozes do movimento das mulheres.

O feminismo de igualdade é uma doutrina moral sobre tratamento igual que não faz qualquer restrição sobre questões empíricas abertas em psicologia ou biologia. Feminismo de gênero é uma doutrina empírica compromissada com três alegações sobre a natureza humana. A primeira é que as diferenças entre homens e mulheres nada têm a ver com biologia, mas são socialmente construídas em seu inteiro. A segunda é que seres humanos possuem uma única motivação social – poder – e que a vida social pode ser compreendida somente em termos de como ele é exercido. A terceira é que as interações entre seres humanos se estabelecem não por conta das pessoas lidando umas com as outras como indivíduos, mas por conta dos grupos lidando uns com os outros grupos – neste caso, o gênero masculino dominando o gênero feminino.

Ao abraçar tais doutrinas, os genderistas estão algemando o feminismo nos trilhos de uma estrada de ferro e há um trem se aproximando. Como veremos, a neurociência, a genética, a psicologia, e a etnografia estão documentando diferenças sexuais que quase certamente se originaram na biologia humana. E a psicologia evolutiva está documentando uma rede de razões que não a dominação de grupos contra grupos (como o amor, o sexo, a família e a beleza) que nos colocam em muitos conflitos de interesse com membros do mesmo sexo e do sexo oposto.

Feministas de gênero querem descarrilhar o trem ou então que outras mulheres se juntem no martírio, mas as outras mulheres não estão colaborando. A despeito de toda a visibilidade, feministas de gênero não falam por todos os feministas, muito menos por todas as mulheres.

Para começo de conversa, a pesquisa sobre a base biológica das diferenças entre os sexos têm sido comandada por mulheres. Por conta de ser tão frequentemente dito que este campo de pesquisa é um enredo para manter as mulheres inferiorizadas, eu irei citar nomes. Pesquisadoras em biologia das diferenças sexuais incluem as neurocientistas Raquel Gur, Melissa Hines, Doreen Kimura, Jerre Levy, Martha McClintock, Sally Shaywitz e Sandra Witelson e as psicólogas Cammila Benbow, Linda Gottfredson, Diana Halpern, Judith Kleinfeld e Diane McGuiness. A sociobiologia e a psicologia evolutiva, algumas vezes esterotipada como uma “disciplina sexista”, é contudo o mais bi-sexualizado dos campos acadêmicos com o qual tenho contato. Suas principais figuras incluem Laura Betzig, Elizabeth Cashdan, Leda Cosmides, Helena Cronin, Mildred Dickeman, Helen Fisher, Patricia Gowaty, Kristen Hawkes, Sarah Blaffer Hrdy, Madalena Hurtado, Bobbie Low, Linda Mealey, Felicia Pratto, Marnie Rice, Catherine Salmon, Joan Silk, Meredith Small, Barbara Smuts, Nancy Wilmsen Thornill e Margo Wilson.

(…)

Por que as pessoas têm tanto medo da ideia de que as mentes de homens e mulheres não são idênticas na totalidade de seus aspectos? Seria realmente melhor se todos fossemos iguais a Pat, a personagem nerd e andrógina de Saturday Night Live? O medo, é claro, é que diferença implique em desigualdade – que se os sexos forem diferentes em qualquer aspecto, então os homens terão que ser melhores, ou mais dominantes, e terão para si toda a diversão.

Nada poderia ser mais distante do pensamento biológico

(…)”

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